Você escreveu em O Desconcêrto do Mundo um dos livrosmais belos e mais fortes de nossas letras. Ele precisa sertraduzido para todas as línguas, a fim de mostrar lá fora que nóstambém somos dignos do Prêmio Nobel.
Um dia destes o procurarei para levar-lhe um livro. Entãoconversaremos: quero explicações suas sobre... o Juízo Final,nada menos! Quero saber se, quando morrer, vou logo para oInferno, ou tenho que esperar, com toda a inumerável populaçãojá "morrida", o fim dos tempos.
Por agora devo dizer-lhe que você tem a prioridade absolutana afirmação de que Rembrandt é o Bach da pintura. Pois o queeu disse numa crônica que está na edição Aguilar de minhas ObrasCompletas foi isto: "Agora sei o que é Rembrandt. Sei que alémde sua pintura há em suas abras uma qualidade que eu descobriapela primeira vez - a sua incomparável musicalidade. Sempre fuimais sensível à música do que à pintura. Sempre preferi ser autor- se Deus me desse a escolher - da obra de um gênio da músicado que da obra de um gênio da pintura. Hoje, porém, posso dizerque não trocaria a obra de Rembrandt pela de nenhum gênio damúsica, salvo, bem entendido Bach."
Terei dito algum dia a frase a algum amigo? Não me lembro.
Aceite os agradecimentos e um abraço de admiração e afetodo velho bardo